Escritor, poeta, cantor, músico, compositor e brasileiro. Vinicius de Moraes foi todas estas coisas e em todas foi brilhante.
Com a velocidade atual com que novos compositores são criados e esquecidos, corremos o risco de que Vinicius fique perdido nas estantes de fitas em VHS nos fundos de alguma locadora popular. Para que isso não ocorra e para que as novas gerações descubram que há mais coisas no mundo do que as canções do Fresno e do NXZero, abaixo, um dos sonetos deste poeta universal e imortal.
Soneto de Aniversário
Passem-se dias, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Rio, 1942
Uma homenagem especial à aniversariante desta segunda-feira, tão escritora quanto ele, tão polivalente quanto ele, e tão brilhante quanto ele.